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Vítima de tráfico de mulheres relata rotina de exploração na Irlanda

Uma jovem de Santa Catarina relatou ter sido vítima da organização criminosa suspeita de traficar mulheres para exploração sexual na Irlanda. Ela foi abordada em uma casa noturna da Grande Florianópolis por um integrante do grupo, que prometeu ganhos elevados na Europa. A revelação foi feita ao NSC.

Segundo o depoimento, a vítima sabia que trabalharia com programas sexuais, mas foi surpreendida pelas condições impostas. Ela afirmou que trabalhava de 9h40 até 3h ou 4h da madrugada, chegando a jornadas de até 18 horas por dia. Em alguns casos, atendia até dez pessoas em um único dia.

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As mulheres eram obrigadas a morar em casas controladas pela organização e não podiam dormir em outros locais. Também havia restrições de circulação: apenas duas saídas por semana, durante a manhã, com retorno até o meio-dia. Atrasos resultavam em multas que chegavam a 150 euros.

De acordo com a vítima, o grupo aplicava multas frequentes por situações consideradas inadequadas, como música alta ou barulho de porta. Algumas mulheres ficavam endividadas e impedidas de deixar a organização.

Os criminosos controlavam os perfis das vítimas em sites de prostituição, agenciavam encontros e recebiam os pagamentos, que variavam de 150 a 250 euros. Uma parte do valor era repassada às mulheres duas vezes por semana, após descontos de multas e do chamado “aluguel” cobrado pelo grupo.

A jovem contou que conseguiu deixar a Irlanda por não ter dívidas com a organização. Segundo ela, enquanto algumas mulheres conseguiam sair, novas vítimas eram constantemente levadas para o esquema.

Operação prendeu oito pessoas

A organização criminosa foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) em conjunto com a Garda e a Europol na última quarta-feira (3). Em Santa Catarina, quatro pessoas foram presas em Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu e Camboriú. Mais quatro pessoas foram presas na Irlanda.

De acordo com o delegado regional da PF Farnei Franco Siqueira, 70 vítimas foram identificadas até agora. A maioria é catarinense. Elas eram aliciadas em baladas, clubes e na comunidade por integrantes da organização.

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