Foto: Reprodução
Um episódio alarmante e difícil de justificar sacudiu Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina. Recém-nascidos internados no Hospital Santa Cruz receberam, por engano, soro antiofídico — usado para tratar picadas de cobra — no lugar da vacina contra hepatite B, obrigatória nos primeiros dias de vida. A direção da unidade reconheceu o erro e o classificou como “grave”, embora tenha buscado minimizar os impactos do equívoco.
Conteúdos em alta
A diretora da instituição afirmou que o erro pode ter ocorrido por causa da semelhança entre os frascos do soro e da vacina. “É um erro grave, mas os bebês não correm riscos”, declarou, alegando que a dose aplicada foi muito inferior à recomendada para casos reais de picadas. Segundo ela, enquanto a dose correta para um envenenamento varia entre 30 e 120 ml, os recém-nascidos receberam apenas 0,5 ml — o que, de acordo com o Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica), reduz drasticamente as chances de reações adversas.
Ainda assim, a declaração causou revolta. Profissionais da saúde ouvidos reservadamente afirmam que a troca de medicamentos tão distintos — um destinado à imunização e outro ao tratamento de acidentes graves com animais peçonhentos — não pode ser tratada como uma simples confusão de embalagens.
O caso reacendeu o debate sobre protocolos de segurança em hospitais que recebem recursos públicos. A prefeita Juliana Maciel (PL) determinou a contratação de uma auditoria externa para investigar a conduta do hospital, que é filantrópico, mas conveniado ao SUS. A Vigilância Epidemiológica também acompanha os recém-nascidos e oferece suporte às famílias, que agora convivem com a angústia de saber que seus filhos foram vítimas de um erro básico e potencialmente perigoso.
Mais do que um “erro grave”, a troca escancara falhas inaceitáveis num ambiente onde não há margem para esse tipo de confusão. Afinal, quantos protocolos precisam falhar para que um bebê receba o antídoto de uma picada de cobra em vez de uma vacina?


17/07/2025