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O governo dos Estados Unidos, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, acusou o programa Mais Médicos de ser parte de um esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a maior parte do salário dos médicos cubanos era retida pelo governo de Cuba, e os profissionais recebiam apenas uma fração do valor total.
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Estima-se que, durante os primeiros anos do programa, o governo brasileiro repassou cerca de R$ 5 bilhões a Cuba. Dados apontam que médicos cubanos recebiam US$ 3 mil, mas ficavam com apenas US$ 400, enquanto o restante era enviado ao país de origem. A implementação do programa no Brasil foi intermediada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O secretário Rubio classificou o Mais Médicos como um “golpe diplomático” e uma “estafa diplomática inadmissível”. Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, criticaram o modelo por reter grande parte do salário dos médicos cubanos.
O Programa Mais Médicos, criado em 2013, visa levar profissionais a regiões de difícil acesso, onde há escassez de médicos, e promover a formação em Medicina de Família e Comunidade. O programa apoia a Estratégia Saúde da Família (ESF), porta de entrada do SUS, e busca ampliar a equidade no acesso à saúde.
Ao longo de sua história, o programa já passou por diferentes fases. Em 2014, contava com 18.240 médicos em 4.058 municípios. Entre 2016 e 2022, houve redução para 12.843 profissionais. Desde 2023, o Mais Médicos foi retomado e expandido, com 28.000 vagas em 4.547 municípios, incluindo atendimento a populações indígenas e em unidades prisionais, beneficiando cerca de 73 milhões de brasileiros.
O programa é interpretado de formas distintas por diferentes grupos:
- Para setores ligados à extrema-direita, o Mais Médicos funcionou como um esquema de envio de recursos a Cuba, com exploração dos médicos cubanos, caracterizando um golpe diplomático. Nesse contexto, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, especialmente Carlos e Eduardo Bolsonaro, elogiaram a medida do governo americano. Em redes sociais, eles parabenizaram Donald Trump pela revogação de vistos de autoridades brasileiras ligadas ao programa, destacando a suposta responsabilização de quem teria beneficiado o regime cubano às custas do Brasil.
- Para o PT e aliados, o programa é uma política pública de saúde voltada a regiões carentes, com médicos cubanos atuando temporariamente para suprir a falta de profissionais, sem caráter ideológico.
Atualmente, os médicos cubanos não participam mais do programa, que passou a priorizar profissionais brasileiros. As sanções dos EUA atingem ex-participantes e familiares de autoridades envolvidas na implementação do programa.
O Mais Médicos permanece como programa estratégico do SUS, com atendimento humanizado, formação profissional e foco na atenção primária à saúde, enquanto continua sendo analisado por organizações internacionais quanto à participação de médicos cubanos e gestão de recursos financeiros nos primeiros anos.


16/08/2025