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A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, encontrada gravemente ferida na Praia Brava, em Florianópolis, pode entrar em nova fase com um possível pedido de exumação do corpo do animal a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). Especialistas apontam que a medida técnica pode esclarecer lacunas no inquérito policial e definir melhor a dinâmica dos fatos.
O MP-SC recebeu recentemente o relatório final da Polícia Civil, que indiciou um adolescente como autor dos maus-tratos e três adultos por coação de testemunha, e identificou inconsistências e lacunas que ainda precisam ser esclarecidas juridicamente para uma conclusão mais segura da investigação.
Segundo o promotor de Justiça Sandro Souza, a eventual exumação do corpo do cão pode ser necessária para obter informações adicionais que não constam no inquérito, como a análise direta de evidências físicas capazes de confirmar detalhes das agressões. A Promotoria não estipulou prazo para formalizar o pedido nem decidir se a medida será adotada.
A Polícia Civil concluiu que as agressões ocorreram na madrugada, com base em análise de mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas, e solicitou a internação provisória de um dos adolescentes investigados. A defesa do suspeito questiona a linha do tempo apresentada pela investigação.
Orelha vivia há cerca de dez anos na Praia Brava e era considerado um cão comunitário da região, alimentado e cuidado por moradores locais. O animal foi encontrado em estado crítico e posteriormente submetido à eutanásia em clínica veterinária por conta da gravidade dos ferimentos.
O caso ganhou ampla repercussão nacional e gerou debate sobre punição a abusos contra animais e revisão de legislações existentes. A possibilidade de exumação representa um novo capítulo no processo, com foco em aprofundar a apuração dos fatos e preencher eventuais lacunas deixadas pelo inquérito inicial.
